Quando cheguei na Europa há 8 anos e meio, fiquei indignada logo em minha primeira visita ao supermercado. Passada as compras pela máquina registradora não havia ninguém para empacotar meu iogurte. Olhei pra direita, depois pra esquerda até avistar um monte de sacolas plásticas com o logotipo do supermercado. O empacotador deve estar doente, pensei.
"Mevrouw, de tas!"Com meu holandês de ameba não entendi uma palavra da caixa. Mas pelo seu gesto percebi que ela queria a sacola.
"Quê"?
"De tas kost 25 cent."
Ela pegou a bolsa e passou pela máquina registradora assim como o iogurte. E a máquina fez "péim"!
Sem entender nada, paguei pela sacola.
Ao chegar em casa discuti com o nativo que absurdo a caixa ter me cobrado por um pedaço de plástico. No meu país sacos ficam à disposição do cliente (melhor dizendo, do empacotador). São inclusive colocados um dentro do outro para ficarem mais resistentes. Desempacotadas as compras do mês ainda sobram uns 40 sacos — quando não vão direto pro lixo.
Foi quando ouvi, pela primeira vez, aos 22 anos, que sacos plásticos podem levar cinco séculos pra se desintegrarem. Os números assombrosos são vários: No estado do Rio de Janeiro 1 bilhão de sacos plásticos são consumidos por ano com o governo gastando R$ 15 milhões somente para dragar os rios entupidos por lixo, grande parte de sacos plásticos. Em Maceió, os sacos voam com a brisa marítima, destruíndo a paisagem paradisíaca da cidade.
Desde então comecei a carregar minha sacolinha. Da última vez que estive no Brasil, levei bolsinhas leves, bonitinhas e não-descartáveis para as compras de presente para minhas amigas.
E em uma das idas ao supermercado interrompi o empacotador que colocava um saco de uvas dentro de dois (!) outros sacos.
"Não precisa por no saco, não."Deve ter me achado uma alien.
"Mas é de graça, senhora!", respondeu o
empacotador estupefacto.
"Você sabia que esse saco demora cinco
séculos..."




4 comments:
Algumas situações que vivemos parecem piadas. Em breve toda a Europa deverá banir os sacos plásticos produzidos atualmente. Os novos sacos plásticos deverão ser produzidos à base de milho, que têm vida curtíssima.
Valeu!
Clarisse, quantas coisas aprendemos por aqui nao é mesmo? Penso que esse tipo de coisa nós deveríamos ter aprendido em nossas escolas...
Belo texto o seu seu.
Abracos
haha é verdade! eu tb comecei a me conscientizar aqui na alemanha, e no brasil eu quase nunca pego essas sacolinhas de plasticos (afinal vc ganha uma sacola ate qdo vc vai pegar um filme na locadora!). As pessoas ficam me olhando com cara de doente qdo falo que nao quero a sacola. mas acho que ao poucos, o pessoal no brasil tb esta percebendo que é um absurdo...inclusive tenho visto varias reportagens na globo falando sobre isso e tentando convencer as pessoas a deixar de usar os sacos plasticos. Espero que ajude. bjs!
ps: sou de Leipzig ;)
ISso aí, Cla! Há algum tempo nós aqui separamos o lixo reciclável e evitamos usar sacos plásticos. Compramos um carrinho de feira fechado e, ontem mesmo, a Adriana adquiriu uma sacola pra gente usar pra compras pequenas. O desperdício é impressionante: quando vou comprar pão, além dele já vir na tradicional sacola de papel, o balconista o coloca num plástico. Ele até acha estranho quando digo que não precisa, assim como o empacotador do Hortifruti, hehehe...
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