Friday, June 13, 2008

Casa, comida e roupa lavada. Topa?

 

Em pleno 2008 não deveria causar espanto um relacionamento no qual a mulher sustenta a casa, o homem cozinha, lava e passa.

O meu, por exemplo, é assim. Mesmo que temporariamente.

Hoje de manhã notei que o filtro de água havia sido trocado. Satisfeita com a surpresa, comentei: "Uau, você trocou o filtro, legal!". Bofe responde: "Se eu não troco, ninguém mais o faz".

Veja bem, meu parceiro não é de reclamar. Enquanto eu batia perna em Moscou, ele encerava o chão da casa com afinco. Chegou ao ponto de comprar uma flor e pô-la na mesa da cozinha limpíssima para me receber. Ou seja, um fofo.

Mas a alfinetada de hoje me abalou.

Fui confrontada com minha própria incapacidade de lidar nosso arranjo muderno. Eu sou mulher, pago as contas, logo não limpo. Ele é homem, depende de mim, logo tem que limpar. O mais bizarro disso tudo é voltar ao passado e ver que lá em casa quem pagava as contas era a mãe, embora quem vestisse as calças era o pai. Mesmo tendo sido criada nesse modelo inconvencional — que por sinal, se provou insustentável — continuo me encaixando nos moldes mais caretas de divisão de tarefas num relacionamento. Só os sexos é que estão trocados!

Meu amigo Kiko costumava dizer que eu tinha gender issues. Ria dele, mas o episódio dessa manhã me fez pensar que talvez as tenha mesmo.

Camille Paglia, Erica Jong, Alice Schweizer (!), socorro!
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7 comments:

bárbara emanuel said...

oi!

passei o dia inteiro trabalhando loucamente, e só agora fui ver os emails e vi que coisa linda é a sua mensagem!

Sei bem o que é isso, porque meus amigos agora estão se espalhando pelo mundo (vc foi a primeira...) e daqui a pouquinho sou eu que me mando... (vou em setembro). Prepare-se, que logo, logo, eu vou correr de Dessau pra Frankfurt atrás de colo e comida brasileira! : )

Sobre o post: Minha família tbém é assim (mamãe paga as contas, papai dá a última palavra) e acho que tbém tenho uma questão mal resolvida de gêneros na minha cabeça, mas pra um lado oposto da sua, talvez... Um dia falamos sobre isso bebendo uma cerveja...

bjs!

Arnild said...

Eu de novo:
Poderosaaaaa!
Amiga, acho um luxo a mulher que pode sustentar a casa. Num mundo onde nossas côngeneres disputam "quem tem mais competência para arrumar marido rico", ser o "dito cujo" é de causar impressões :-)

No mais, é levar na esportiva, como nós baianos dizemos. Fala para ele: "Amorrrrrr ainda bem que eu tenho você!" Funciona que é uma beleza:-D

Beijos (cadê o verão, né?)
Arnild

Raphael Perret said...

Cla, perdoe a burrice deste nobre rapaz (são duas da manhã e a rara insônia parece ter abalado meus neurônios). Não entendi. Por que você ficou abalada? Por ver que essa divisão perfeita (um paga, outro lava, independente dos sexos) não precisa ser assim? Porque é possível dividir tarefas mas com fronteiras bem mais tênues?

clabrazil said...

Rapha,

A confusao é justamente essa! A divisao me parece perfeita, só que lá em casa foi assim e nao funcionou. Nao se esqueca que por mais emancipada, nasci e fui criada em nosso meio de machoes e submissas. A verdade é que preferiria um meio termo em que nao precisasse me lembrar que sou mulher nem que maridon é homem. Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar...

Tá confirmado, tenho gender issues. :-)

Mi said...

nao acho nada anormal, mas nao acho certo. Acho chato qdo 1 so paga e o outro so limpa...tem que ter os 2. ;) Claro que a limpeza vai sempre recair na pessoa que tem mais "tempo livre" mas nao precisa ser 100% ;) aqui a gente sempre divide. bjs!

Adriana said...

recebi o cartão ontem....amei DIMAIS DA CONTA!

Lelec said...

Oi Clara,

Em primeiro lugar, gostaria de lhe agradecer por relacionar A Terceira Margem do Sena entre seus blogs indicados. Fico muito honrado, de verdade. Muuuuuito obrigado!


Brasileiro quando mora na Europa, tem mesmo que encarar muitas coisas aborrecidas. As atividades domésticas são chatas, mas não nublam em nada minha satisfação por estar no Velho Mundo. Minha vida no Brasil era mais confortável. Mas a experiência aqui é riquíssima!

Beijo e,mais uma vez, obrigado.

Lelec