Friday, July 04, 2008

Cada um por si


Passada estou com esse vídeo no qual uma paciente tem um catiripapo e morre em plena sala de espera do hospital em Nova Iorque. E ninguém faz nada.

A passividade de algumas pessoas perante o sofrimento me assusta muito.

Na Holanda, minha amiga Malu já salvou um bebê no carrinho na escada rolante de metrô numa cena digna de Superhomem quando a mãe se virou para correr atrás do outro filho, uma criança arredia de uns 3 anos, e o carrinho quase virou. Ninguém fez nada. A mãe ficou tão agradecida que até queria pagar a Malu. Que por sua vez não aceitou a recompensa.

Um excelente exemplo de passividade era meu ex. Fora não querer chamar a polícia quando bem embaixo de nossa varanda um jovem era agredido e roubado por quatro outros, uma vez chegou à estapafúrdia de me abandonar com o agressor e continuar andando!

Foi assim: era madrugada de Natal e caminhávamos de volta para casa em Roterdã, eu, ex e um amigo de quase dois metros de altura. No meio da rua deserta, um casal brigava. Não era um mero bate-boca, e sim uma briga física na qual ele a atacava. Meu sangue subiu. Parei bem em frente e discuti com o marido, que em sua ira veio também para cima de mim. Para minha surpresa, ao olhar pros lados procurando reforço em meus acompanhantes, reparei que estava sozinha! Os dois cavalheiros já estavam há muito à frente, e pouco se importavam com minha segurança. Só a deles mesmos.

12 comments:

Marcia H said...

que horror.
nossa, meu marido eu tenho q segurar pois ele tem sangue quente rsrs
bj

bárbara said...

nos EUA tem um programa que se chama What would you do?

Eles criam situações tipo a do marido batendo na mulher, ou uma pessoa claramente bêbada entrando num carro com crianças pequenas, ou alguém sendo roubado/agredido, etc. Filmam tudo com câmeras escondidas, como se fosse uma "pegadinha".

http://www.youtube.com/watch?v=Dvzj8wyZ9PI

É realmente impressionante, que os atores ficam horas e horas nas situações, e pouca gente ajuda.

Uma muito interessante foi numa padaria em que uma mulher muçulmana usando o véu pede um pão, e o atendente se recusa a servi-la e diz que lá é uma padaria proud to be american.(ambos atores combinados)

As pessoas da fila ou não faziam nada ou até mesmo algumas foram parabenizá-lo por seu patriotismo!!

http://www.youtube.com/watch?v=i1UFEzqOZso

Carla said...

Pois é Clarisse, o ser humano de bonzinho nao tem nada. E nao é à toa que o ex virou ex nao é?
Mas te digo que ainda me surpreendo com isso, pq pra mim esse tipo de coisa é chocante,
Bjos!!!

Lelec said...

Oi Clara, aproveito para contar um causo...

Certa vez, aqui na França, vi um homem deitado no chão. Mas ele estava todo esparramado, não estava apenas dormindo. Achei esquisito e fui examiná-lo. O fato de não ter reagido aos estímulos me fez pensar que ele estivesse em coma alcoólico. Sem telefone, fui ao restaurante logo à frente para chamar o SAMU. Você precisava ver a reação do pessoal: "não, é só um bebum, deixa pra lá", etc. Nem quando falei que era médico neurologista eles me deram ouvidos...

O ser humano é mesmo um bicho assustador.

Beijo,

Lelec

Adriana said...

Eu não aguento...me meto na hora!
Só se tiver dois bruta montes se esbofeteando..ai quero distância. Essa do hospital foi trágica!

Fernando Sampaio said...

O pior é que isso acontece mais nesses países civilizados e nas grandes cidades...
Onde o povo é mais simples existe um pouco mais de solidariedade.

StellAway said...

Your blog makes me want to learn Portuguese. How are you? It's been too long. I skimmed through quickly and really connected with the stranger post for sure. Oh and the man with the long ear hair is funny. But I'm so mad you went to Brazil without me! Bissous, Stella

Depois dos 25, mas antes do 40! said...

Alguém me explica "o que era esse seu ex!" Faça-me o favor!!! Ainda bem que não está mais com ele srsrs E seu amigo também hein! Dois mestros que não servem para nada! rsrssr Sobre a morte no hospital, aquilo foi no mínimo intrigante.

Bejosss

Arnild said...

Cla,

Esta cena deplorável demonstra, mais uma vez, que não há país perfeito, mas uma "humanidade única". Se este caso tivesse acontecido no Brasil, ai veríamos pano pra manga.

Beijos!

Maria Renata said...

Completando o comentário acima, ô se veríamos. Inclusive daria na Globo de cinco em cinco minutos. Que absurdo! Em termos de hospitalidade, fico feliz por ser brasileira nessas horas.

deborah said...

É, Cla...

Depois, o mundo se recusa acreditar que NINGUÉM sabia nem desconfiava da moça enclausurada naquele porão austríaco por 24 anos... Ou o vizinho só sabido morto depois que começa a feder.. E o que falar da ignorância total da maioria dos franceses, na segunda geurram, da existência de campos de concentração no territótio deles? Estes, nem o cheiro de carne queimada reconheceram..

Acho isso medonho.
Mas nem sei se é realmente por mal que as pessoas têm esta não-reação. Elas se bloqueam tanto, se defnedem tanto de tudo, se blindam, como virou hábito dizer, a tal ponto que não se emocionam mais, me com o pavoroso, nem com o amoroso. Muito triste isso!

Façamos, portanto, nossa parte.
Continuemos a nos emocionar, a não suportar o sofrimento, nem o nosso, nem o do alheio, a nos compadecer!

beijo grande para vc.

d.

Princesa said...

Gente que absurdo!
Mas o pior é que é assim mesmo,eu tive prova do descaso quando um cachorro me mordeu na faculdade,na frente de todo mundo e ninguém moveu um musculo pra me ajudar,pelo contrário,uns até riram!e depois tive mais prova da "grandeza" humana,quando tive que procurar um hospital nesse mesmo dia,até escrevi sobre isso no meu blog,o nome do post é "Odisséia Hospitalar",caso você se interesse.
Obs:seu blog tá ótimo,parabéns!